sexta-feira, 10 de abril de 2009

45 antidepressivos

Dá-me 45 antidepressivos para me fazer esquecer as fotos que vejo, para nem me fazer lembrar as conversas que assisti, para nem um pouquinho me recordar de todos os erros que fiz ao perdoar. Dá-me 50 antidepressivos para me fazer sentir descansada, dormir sem ter o sonho interrompido, acordar sem ter medo. Dá-me 60, 70, 100, os mais que tiveres para me fazer voltar a sentir bem, ou melhor. Apenas dá-me, faz ao menos o que te peço já que ninguém mais escuta o que digo. Deixa-me descansar, deitar-me e poder respirar bem fundo sem sentir o coração apertado com mil agulhas em sua volta, deitar-me e sonhar tão alto que não acorde ao estremecer tudo em volta. Deixa-me ao menos essa relíquia que preciso por agora.
Como podem ser 14 anos esquecidos em 10 meses? Como dói. Nem quero acreditar. Mas não me digas que é mentira, não me revoltes com mentiras de piadade. Diz-me de uma maneira discreta e apoia-me silênciosamente como se entendesses tudo num sítio onde não entendesses nada. Não gozes comigo nem me chames louca, concorda mas não completamente.
Mas não, não me quero deixar abater por apenas ver como estão bem sem mim. Não sou de tal egocentrismo. Ou sou? Não, não me vou deixar abater por todas as minhas grandes amigas se darem tão bem com a minha rival. Não sou de tal egoísmo. Ou sou? Não! Juro que não me deixo abater de ver tantos sorrisos falsos, tantas amizades desfeitas, tantas coisas perdidas como se de uma enorme falcatrua! Não estou assim tão preocupada! De que valerá a pena se de um momento para o outro nos humilham? Se de um momento para o outro nos rebaixam? Nos chamam de interceiros depois de tanto termos ajudado? De que vale a pena tudo isso se de qualquer um dos modos eles nos ódiam por termos e não termos feito nada. Nos olhos deles estamos errados, sempre errados mas eu não me vou preocupar vais com as suas acusações, estar longe deles só me faz bem. Mas a distância continua com o mesmo efeito, as palavras atravéssam universos e continuam a magoar tanto ou mais que uma chapada. As imagens vêem-se do mesmo modo e continuam a causar tanto transtorno como antes. Como pode ser isto. Se agora que estou mais longe ainda mais dor causa?
Eu até sei a resposta. Porque a distância impede-me de poder voltar tudo ao normal. Por isso resumo-me a isto. Eu amo a Holanda.

1 comentário:

Anónimo disse...

Eu amo-te Ana Maria Pereira Daoud, amo mesmo e custa-me ver tanta coisa à minha volta e não poder agarrar. Tenho saudades tuas e do teu sorriso quente, de quando me abraçavas, de quando rias de mim, nunca me importei, afinal de contas, tu gostavas de mim, e sei que continuas a ser das poucas que gosta. Custa-me ler os teus textos e não poder estar contigo enquanto os escreves ou então contigo apenas para não teres motivos para os escrever. Que tenhas motivos para sorrir, que não precises desses antidepressivos, que sonhes alto e connosco, porque afinal de contas o que passámos juntas não passa de um sonho visto dos olhos dos demais. Eu amo-te por tudo e por nada. Eu amo-te porque me amas como mais ninguém me amou, sempre foste única, e continuas única. Mesmo agora que vejo o que juntas construímos a escapar-se por entre os dedos, e eu tento agarrar, mas é difícil. Amo-te, disso não tenhas dúvidas :)