quinta-feira, 16 de abril de 2009

As razões

Acredito que há razões para tudo. Mesmo que muitas magoem há sempre um motivo. Mesmo que de seguida uma nova porta não se abra, acontece por algo.
Estou quase a fazer 15 anos. Puff, já sonho com essa idade desde que tinha os meus pequenos 10. Estou a 6 dias de concretizar "o sonho", o grandíssimo sonho de ter os meus super sweet 15. Que bom, toda a gente está feliz por mim: "Uau, que crescida que estás!" ou mesmo "Então hãn, já os 15 à porta.". Pois, pois é. Quantos já me disseram isso. E depois penso, estou tão perto do que esperava a tanto tempo, pensei que iria ter uma maior ancia, que iria ter um nervosinho na barriga nesse dia, que ia sentir-me a mais feliz e realizada miúda de sempre. E depois vejo onde se foi tudo isso. Como me sinto agora tão perto do meu sonho. Sinto-me tão normal, até sem vontade de preparar algo. Será preguiça? A minha mãe diz que sim, a minha avó diz que sim, todos dizem que sim. Mas eu sei que não é isso, não pode ser isso.
Onde já se viu comemorares a tua fascinate idade sem os que tu adoras. Onde é que já se viu no nosso anciado aniversário não ter aqueles abraços mesmo que de mãos vazias de presentes. Não ter o meu pai. Não ter a minha avó e avô. A família toda que por ai deixei. Como posso fazer uma festa com pessoas que não valorizam o quão me importa? Como posso comemorar sem aqueles que mesmo de braços vazios de prendas me dêem o melhor abraço de todos, aqueles que dizem sinceramente "Feliz aniversário".
Eu quero demais, eu sei que sim, mas eu aceito o que tenho. Aceito e respeito, dou valor. Apenas não me podem criticar por sentir falta daquilo que deixei. Daquilo que por tanto tempo construí e que em tão pouco se vai.
Dêem-me a Xaninha como presente de aniversário, ou um outro gatinho e ficarei mais feliz.
Já não me sinto de lado nenhum, não meimporta aquilo que os de cá julgam nem os que daí acham. Já não pertenço a lado algum, afectar afecta cada vez menos. Paciência esgota.
Dêem-me só o meu doce bebé de volta, um namorado que não me largue e a melhor amiga que (ainda) não perdi. Aí era capaz de ficar todo o dia em casa, não precisava de sair, tinha o que mais quero. Eu apenas protesto porque essa razão ainda não percebi. Mas sou uma rapariga inteligente, hei de lá chegar.
Agora o que me falta é uma boa sessão de Albert Heijn, olhares e borracho. Depois já me sinto melhor.

Sem comentários: